COINCIDÊNCIAS

Mai 24, 11 COINCIDÊNCIAS

Nesta hora, que na realidade têm sido horas, dias, semanas, mesmo meses, de comemoração, gostaria de principiar por felicitar o Futebol Clube do Porto, meu amado clube, da cidade onde nasci, e em cuja equipa o meu falecido pai jogou. Felicitar por tudo. Pela Coerência e Actualidade da sua História. Sinto uma alegria imensa, indescritível e acima de tudo universal, pois o que este clube, esta equipa, seus dirigentes, técnicos e colaboradores atingiram foi a plenitude de conquistas a que ambicionávamos todos.

Educaram-me a gostar do Porto, do FC do Porto, da sua mentalidade, dos seus princípios e valores, e na mesma medida a gostar de algo que é lindo: Futebol. A festejar as vitórias, e a saber apreciá-las, respeitá-las,  ou seja, a festejar ganhar bem. A festejar ganhar limpo. A festejar ganhar bonito. Educaram-me a saber ver futebol – e logo por quem. Ensinaram-me a saber atribuir mérito aos defesas e guarda-redes, a saber ver as qualidades à primeira vista “escondidas” dos centro-campistas, e a maravilhar-me com o “talento dos deuses” dos avançados. As horas que temos vivido têm assim sido de verdadeiro deslumbre.

No mesmo patamar de mérito, gostaria de felicitar o meu Amigo Ricardo Amorim. Numa tremenda “coincidência”, num momento em que alguns, por ambição pessoal e de vaidade, procuravam tentar denegrir e espezinhar o FC do Porto, e ao mesmo tempo que os profissionais do nosso clube trabalhavam duro como de costume, com a sua competência e valor, o Ricardo dava início, contando praticamente apenas consigo próprio, ao BestOfFutebol. Lutando, trabalhando incansavelmente, investigando, raciocinando, alertando, demonstrando. Hoje, Ricardo, és um vencedor. O FC do Porto deve-te o máximo que um clube pode dever a um adepto, a um profissional. A – posso dizê-lo mesmo – um dirigente. Demonstraste que não há rótulos. Rebentaste com eles! Mostraste à saciedade que o importante é a mensagem. Isto é, soubeste ser Grande: independente e sério. Um exemplo de jornalista. Um exemplo de portista. Foste um Enorme Mensageiro, mas acima de tudo demonstraste que a Mensagem transmitida, verdadeira, sã, independente, é a realidade. Tal só está ao alcance dos predestinados. Muito obrigado! Parabéns, Ricardo!

Gostaria ainda de poder dedicar um pedacinho desta Actualidade Histórica que é o FC do Porto Vitorioso, ao meu falecido pai, que me educou da forma acima descrita, e de apenas muito rapidamente partilhar convosco uma para mim muito especial “coincidência”. O Ricardo pediu-me para escrever o primeiro artigo, que seria para publicar em 11 de Março último. Eu disse ao Ricardo que estava emocionado. E contei-lhe porquê, pois ele não fazia sequer ideia. É que o meu pai, que tinha sido jogador do FC do Porto no tempo dos treinadores Yustrich e Bella Guttman, e de enormes jogadores como Hernâni, Miguel Arcanjo (seu colega no centro da defesa), António Morais e, entre tantos outros, José Maria Pedroto (eram precisamente os tempos dos famosos “roubos de Igreja”, como dizia o nosso tão querido “Zé do boné”), falecera precisamente num dia 11 de Março! E mais: fazia exactamente 12 anos, e ele nascera precisamente a 12 de Maio.

Postos estes introdutórios parágrafos, aqui estou então para vos falar de coincidências.

Coincidências de vária ordem. Da já nossa conhecida “Justiça Divina”, e de várias modalidades de coincidências, de que se irão aperceber.

Há cerca de 4 anos, estive uma semana em Dublin. Dias fantásticos, com pessoas fantásticas, aliás muito semelhantes às gentes do Porto, incrivelmente generosas e amigas do seu próximo. Dublin ficou para mim uma referência.

Quando, há algum tempo atrás, soube que a final era em Dublin, rejubilei de alegria! Minha cidade também amada. E à medida que fui vendo o FC do Porto a mostrar que era um sério candidato a ganhar a Liga Europa, fui-me apercebendo de outras coisas. Reparei que ia ser o primeiro grande acontecimento desportivo naquele novo estádio. Ora eu estivera em Dublin, para ir ver o primeiro jogo da selecção de rugby irlandesa no Crok Park. Agora ia ser o primeiro jogo importante no Aviva Stadium, local onde, no velhinho estádio aí existente,  habitualmente jogava a equipa nacional de rugby. No Crok Park, estádio com 85.000 lugares, apenas se jogava os jogos tradicionais irlandeses, que na Irlanda são importantíssimos.

Depois, ao ver imagens do Aviva Stadium, arrepiei-me: a bancada pequena!

Esta foto é do Crok Park. Como podem reparar, uma das bancadas de topo, é pequena, como todos vimos também no Aviva Stadium.

O Aviva tem essa bancada pequena, por causa da luminosidade, “bem escasso” durante parte do ano em Dublin. Mas há outra razão de ser.

Quem viu o filme “Michael Collins” recordar-se-á de que nos anos 20, do Sec. passado, tanques ingleses entraram naquele estádio, Crok Park – à data só tinha bancadas pequenas -, e mataram mais de cem pessoas que se encontravam precisamente naquela pequena bancada que foi mantida. Por isso os irlandeses, quando mais tarde, já independentes, decidiram aumentar a lotação do estádio, mantiveram aquela bancada pequena em memória das vidas perdidas naquele dia. Por isso, quando vi a pequena bancada do Aviva, arrepiei-me.

Mas a grandeza do povo irlandês chega a este ponto, como testemunhei na minha visita há 4 anos a Dublin: todos me disseram ser um privilegiado por ir assistir àquele jogo (já não havia bilhetes em lado nenhum), era um Irlanda-França, a contar para o torneio das 6 Nações, o primeiro em Crok Park, e acima de tudo que não esqueciam, apesar daquele massacre inglês, que nos anos 70 do Sec. passado, quando nenhuma equipa de rugby aceitava ir jogar a Dublin por causa das bombas, a única que aceitou foi a inglesa. E eles não se esqueciam disso! Que grandeza. Que povo.

Ao escrever estas linhas, registo e me dou conta de mais uma coincidência: esse fora um Irlanda-França. No 18 de Maio dos nossos sonhos, havia um francês, também, mas a “jogar” na bancada… Michel Platini. Mas já lá vamos.

No dia do jogo, vi mais um “sinal” muito engraçado: a capa do já nosso conhecido “pasquim” de estimação trazia uma “pint” de Guiness! Com o nome FC do Porto no topo do copo de cerveja. Pensei: meu Deus, tantos sinais de que vou ser feliz neste dia, e de que o FC do Porto vai mesmo ganhar. O maravilhoso futebol do nosso clube mais me fazia acreditar que íamos ganhar! É que na primeira noite, em que cheguei a Dublin, levaram-me para vários bares, onde bebi 4 “pints” de Guiness – seguidas de mais 4 de Smithsonian… Felizmente aguento bem a bebida – e raramente bebo -, e viemos a pé para o pequeno hotel do cliente que me convidou a ir à Irlanda. Agora, ao ver que na capa do “pasquim” aparecia uma copo de 62 centilitros de Guiness, tinha mais um “sinal” e coincidência tremenda!

Mas como fui educado a respeitar o futebol, os adversários dignos, e a esfericidade da “redondinha”, tive de esperar, com a humildade possível,  para confirmar os sinais. Mas confirmava-se mesmo, para nossa felicidade!

A maior e mais bonita coincidência daquela noite foi com Helton. Por isso escolhi a sua foto.

Helton é um exemplo. Uma pessoa exemplar. Um jogador exemplar. Um atleta exemplar. Um coração maravilhoso, quão maravilhosa é a música e a sua sempre presente guitarra. No dia 18 de Maio, e precisamente num dos tais lances em que a bola “é” redonda, Helton viu-se perante um Mossoró isolado, num lance em que o tempo por instantes parou, e voltou a andar para se ver o que ia acontecer naquele imediato: Helton fez a defesa da noite.

Helton nesse dia fazia anos. Nesse dia realizou a defesa da noite, de uma temporada. Helton é, como sabemos, um fervoroso e pacífico cristão. Helton no dia 18 de Maio fez 33 anos, a chamada idade de Cristo. Coincidência? Não: Festival de coincidências!…

Jorge Nuno Pinto da Costa é um homem de fé, também, como sabemos.

A 18 de Maio, em Dublin, Michel Platini colocou ao pescoço do nosso Presidente a medalha da Vitória, e entregou a Helton a Taça da Liga Europa.  Depois do que se passou há anos atrás, mais uma – irónica – coincidência.

Mas houve mais coincidências…

Com enorme ironia também, o FC do Porto disputou a Liga Europa por virtude de ter ficado em 3.º lugar na época passada. Alguns manobraram nos túneis nesse sentido, provocando nomeadamente um jogador que também sempre conhecemos como um exemplo de fair play: Hulk. No campo, um outro “colaborador” já tinha deixado de marcar um penalty sobre o “Incrível”, e validado o único golo num fora de jogo de bradar aos céus. Pois bem: é também o momento de “agradecer” a esta gente, uma vez que, ao tanto nos terem prejudicado, acabaram por nos catapultar para uma prova em que, sem túneis nem gente desta, e com o mérito dos “escolhidos”, se escreveu uma das páginas mais bonitas – mais uma! – do nosso Futebol Clube do Porto. Obrigado, portanto!

Depois de um dia de reflexão, em que certas mentes andaram completamente atordoadas, eis que Sexta-feira a capa do “pasquim” de serviço aos nossos risos e sorrisos colocava num pequeno canto a arrepiante festa nos Aliados, e como foto e notícia principal e gigante titulava as palavras que se seguem: “Roberto recusa ser emprestado”…Tínhamos voltado à propaganda. Desta vez, o alvo era, ingratamente, o próprio Roberto. Por “interesses” óbvios, que não cabe aqui explanar.

Na semana anterior, e conforme planeado pelas “gentes” a que acabámos de agradecer, assistimos a vários… como chamar?… coincidentes “prodígios”.

Anunciou-se em Portugal que por sua vez se ia anunciar em Espanha (!!!) que dirigentes do Futebol Clube do Porto teriam jantado com o árbitro do FC do Porto-Villarreal, após o jogo. Verificou-se ser falso. Jornalisticamente, não se cruzou informação antes de lançar a notícia. Pior: anunciou-se que ia ser anunciada por outros. Isto não foi jornalismo em Espanha. Foi pseudo-jornalismo. E em Portugal, ao anunciar-se uma pseudo-notícia, nem sequer pseudo-jornalismo se fez: fez-se “recadismo”. São “moços” de “recados”. Perdoemos-lhes. E bastava ter visto o jogo, numa primeira parte perfeitamente vergonhosa, em que o árbitro mostrava amarelos aos jogadores do FC do Porto e os poupava aos atletas espanhóis em entradas duríssimas posteriores, e em que aquele fiscal de linha daquele lado não conhecia a lei do fora de jogo, e os avançados espanhóis disso se aproveitavam. Ficou famosa a situação, a seguir, quando no fim da primeira parte esse “linner” lá se lembrou finalmente de assinalar um fora de jogo, de o público em peso atribuir uma sonora e raríssima salva de palmas ao “intrépido” bandeirinha…

Hoje, no programa “Dia Seguinte”, na Sic Notícias – que vejo apenas para poder registar certos factos, e depois analisar e comparar –, o tema de abertura foi esta pseudo-“recadística”-notícia!… Ah, e claro que não se falou na vergonhosa arbitragem!… Queixa na PGR. Mas como não conhecemos o conteúdo da queixa, e se sabe que teve a ver com esse árbitro, só pode ser por suspeitas do porquê de ele ter, e tanto, prejudicado o FC do Porto nesse jogo. Só pode ser por isso!!! É que o resto seria, simplesmente, ridículo!… Para quem não viu o programa, iniciado às 22h00, posso dizer que o segundo tema abordado foi Domingos treinador do Sporting, seguido de uma raríssima e curiosa reportagem sobre o mesmo quando acabou a carreira no FC do Porto, começou a treinar as camadas jovens, e testemunhava o seu amor ao clube (quase que me pareceu “veneno” anti-sportinguista, mas isso é lá ideia que se tenha!…), e depois passou-se ao terceiro tema da noite: estado do Benfica… Ah, às 23h24 falou-se num assunto, de um clube determinado até ter ganho uma competição, ah, e que se chama FC do Porto… Tudo coincidências, claro.

Ah, e também foi – como é evidente – coincidência um artigo no “Público”, sobre a final da taça ganha dia 22, intitulado “FC do Porto teve ‘estrelinha’, mas nem precisava”. Tal como coincidência foi o artigo do Correio da Manha (isto com o novo acordo ortográfico já nem sei se “Manhã” leva til ou se não leva…), intitulado “Festival de erros na última gala”, da autoria de João Querido Manha (Ah! Aqui sei que mesmo com o acordo ortográfico “Manha” não leva til!…), e em que se escrevia isto, no cabeçalho: “o FC Porto foi servido ontem no Jamor com um autêntico festim de erros defensivos pelo V. Guimarães, que muito facilitaram a conquista da 16ª Taça de Portugal pelos dragões.” Depois, no interior do texto, e sobre um jogo em que eu pensava ter-se visto toda a cristalinidade futura de James Rodrigues, o talento por todos os poros de Hulk, e a articulação perfeita com a categoria do guarda-redes Beto, escrevia-se algo de diferente daquele cabeçalho, que ou se compreende por um momento repentino de brilhante lucidez, ou então por já não saber o que dizer, e nem expectar que os leitores mais “susceptíveis ou influenciáveis” fossem ler o mais demorado escrito: “O jovem colombiano James Rodríguez não se acanhou com a responsabilidade de substituir o lesionado Falcão e associou o nome à quarta conquista da temporada com a autoria de três golos e mais duas assistências. James teve vários parceiros à altura, em particular o capitão Hulk, autor de um golo invulgar de canto directo e duas assistências, e o guarda-redes Beto, que defendeu uma grande penalidade num momento crucial da partida, à beira do intervalo, quando se passou de um prometedor 4-3 para um conclusivo 5-2.” Verdadeiramente desconcertante!!!

Depois apareceu um convidado de um certo canal de tv a publicitar um vídeo em que dizia que era ex-árbitro de futebol, dois anos antes de o deixar de ser… E novamente se deu publicidade ao que de tão contraditório dizia este outro “realizador de filmes”…

E depois de nunca se ter falado numa tal “taça latina”, nem sequer alguma vez se a tendo contabilizado – obviamente, pois nem era uma competição oficial, nem tinha forma pré-estabelecida de apuramento –, eis que perante a “ultrapassagem” iminente e eminente por parte de FC do Porto, numa mudança e coincidência fantásticas, certos meios começaram por passar a contabilizá-la no quantitativo de títulos e troféus!!!

Ou seja: as tais “gentes” de que falo tinham já preparadas mais estas manobras manhosas anti-FC do Porto. A arrogância superou – como já vem sendo hábito – a noção da realidade, só que entretanto a coisa correu mal, e o valoroso Sporting de Braga carimbou o bilhete para Dublin…

Verificamos assim que como o destino do Futebol Clube do Porto é vencer, inevitavelmente acontecem várias coincidências. E podemos vislumbrar claramente que umas são lindíssimas, e outras nos fazem apenas sorrir.

Mas a par das coincidências, há um mar de não coincidências.

Um Mar de Mérito. Individual e Colectivo.

Um dia destes escreverei sobre todos os nossos heróis, um a um. Do Antero Henrique ao Sr. João. Não sei quem é o Sr. João. Mas sei que também lá está. É um dos nossos heróis. É o Portista Desconhecido. Mas que é essencial. E escreverei sobre o André, o mais bondoso dos nossos “Apóstolos”. E sobre o nosso campeão que será talvez o único que antes de chegar ao FC do Porto já o era, sem ironicamente alguma vez o ter sido. E olhem que giro: sem qualquer intenção falara acima no Sr. João! É que este campeão que já o era sem ainda o ter sido, também se chama João!

Escreverei sobre todos, todos.

Mas há um que é especial. É tão especial que nada é necessário escrever. É tão Campeão, é tanto uma referência moral e ética, que ao pensar agora nele se me embaciam os olhos. É tão o Futebol Clube do Porto, que basta escrever o seu nome:

Jorge Nuno Pinto da Costa.


Um Abraço, e até para a semana!
Alfredo Ladeira.

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