Media Open Day

Mai 12, 11 Media Open Day

No “Media Open Day”, dedicado à antevisão da final da UEFA Europa League, André Villas-Boas recusou assumir o favoritismo para o encontro em Dublin, frente ao SC Braga. A exactamente uma semana da partida, o treinador garantiu que os Dragões vão procurar “controlar o jogo”, face a um adversário “rigoroso na organização e rápido no contra-ataque”.

Final sem favorito
“Não temos o hábito de nos colocarmos em bicos de pés nem de assumir favoritismos. Não tem sido o nosso estilo este ano. Estamos motivados para disputar uma grande final europeia, contra uma equipa que não se cansa de derrotar grandes clubes europeus, e também super-motivada para conseguir o título. Será um desafio em que tudo pode acontecer. Estamos confiantes na nossa identidade e estilo jogo e esperançosos que isso seja suficiente para nos levar ao sucesso. Isso é muito mais importante do que qualquer mensagem de favoritismo.”

Adversário rigoroso
“O SC Braga, para o campeonato, sofreu duas derrotas com o FC Porto e seguramente conhece-nos muito bem. Para eles, estamos piores. Não sei onde o Domingos viu isso, mas disse-o com algum sentido. Tivemos uma parte final de época estrondosa, de Fevereiro até agora. O SC Braga também vai querer transcender-se, trata-se de uma final em que tudo pode acontecer e que nada tem a ver com o campeonato. O SC Braga estuda bem os adversários e vai criar-nos problemas porque tem esse perfil: concede iniciativa ao adversário, mas é eficaz, rigoroso na organização, forte colectivamente e capaz de finalizar cada ataque com perigo.”

Análise ao rival
“O SC Braga não está muito diferente daquele que defrontámos para o campeonato. Talvez tenha agora mais confiança. Estão numa boa fase. Ambicionam ficar no terceiro lugar da Liga e serão uma equipa ultra-motivada. Encontram-se numa fase excelente e merecem estar na final. Têm um percurso muito bonito na competição. O ano passado lutaram pelo título, este ano tentaram sempre andar nos quatro primeiros lugares.”


Três objectivos
“Tenho a certeza de que o SC Braga quer fechar a época com um título europeu, mas nós também esperamos terminar em beleza com a conquista dos dois últimos troféus. Ainda temos três jogos e três objectivos diferentes para conquistar (Europa League, Taça de Portugal e invencibilidade na Liga portuguesa). A equipa está confiante e motivada. Treinamos com rigor e desejo e o que fazemos em treino é o que queremos fazer em jogo.”

Estilo de jogo
“Não gostamos de especular com o jogo. Gostamos de ter a bola e criar oportunidades. É certo que podemos pagar caro por isso e no futebol nem sempre ganha quem joga melhor. As estratégias são decisivas e é claro que o SC Braga nos obriga a ter cautelas, mas nunca desvirtuaremos o nosso estilo. Posso assegurar que o FC Porto vai tentar controlar o jogo.”

Vencedor português
“Penso que, pela primeira vez na história, Portugal ficará satisfeito com qualquer um dos vencedores, o resto pouco me interessa. Importante é que os nossos adeptos fiquem satisfeitos. Vai ser um jogo único.”

Destaques dos Jogadores:



Varela não sabe se vai ser titular em Dublin, no final da Liga Europa, nos últimos tempos tem perdido algum espaço, mas está pronto para isso. Acima de tudo, garante, nada belisca o valor do que tem feito no F.C. Porto. «Tem sido uma época de sonho, uma época extraordinária», sublinhou.

Agora a cabeça só já está em Dublin. E dentro dela uma imagem: levantar a taça. «Está tudo bem encaminhado para que possamos fazer um grande jogo. Não nos passa pela cabeça não ganhar a final. Sabemos que temos um adversário complicado pela frente, um adversário difícil, mas só pensamos em ganhar.»

«Numa final desta não há favoritos, o Sp. Braga é uma boa equipa e vai ser um adversário complicado. Jogar com uma equipa portuguesa é uma desvantagem, pelo conhecimento que o Sp. Braga tem do F.C. Porto e dos jogadores do F.C. Porto. Mas acredito que no final irá tudo correr bem.»

Pelo meio o avançado não quis dizer se Villas-Boas já colou nas paredes as últimas palavras de Domingos, que em Braga disse querer ainda mais ganhar a final por ser contra o F.C. Porto. «É normal o Domingos dizer isso», referiu Varela. «É um profissional e tem de fazer o seu trabalho.»



Rodriguez já sabe que não vai jogar a final da Liga Europa. O uruguaio está lesionado e não recuperar a tempo de estar em Dublin. Por isso falha a primeira final europeia da carreira, sobretudo numa altura em que estava em subida de forma. Nos últimos três jogos da Liga Europa, aliás, foi sempre titular.

A notícia, naturalmente, deixa-o de rastos. «Sinto muita tristeza, obviamente. Todos queríamos jogar a final e estar lá, é uma frustração muito grande, mas tocou-me desta vez ficar de fora», referiu. «É uma situação triste, mas vou tentar estar com o ânimo a cem por cento e a apoiar os meus colegas.»

Ora por isso foi-lhe pedido um prognóstico. O uruguaio não tem dúvidas sobre quem vai ganhar: o F.C. Porto, claro. No entanto não quis arriscar na figura do encontro. Ou antes, arriscou demasiado. «Não sei quem vai marcar os golos», disse. «Espero que os onze marquem golos e que ganhemos 11-0.»

Por fim falou-se do Benfica. Claro: o Benfica. Rodriguez veio de lá e já tinha dito que preferia a final contra o rival lisboeta. Agora mantém a opinião. «Com o Benfica seria diferente, é um clássico e por aí dá um pouco mais de emoção. É o nosso rival. Mas mesmo assim é uma final e vai ser muito emotivo.»



Guarín vive uma fase feliz. O colombiano chegou ao F.C. Porto há três anos, mas nas duas primeiras épocas passou despercebido. Jesualdo Ferreira sempre o elogiou muito, mas no fim havia qualquer coisa a quebrar a continuidade do médio: as viagens longas, os jogos da selecção, os problemas físicos.

Esta temporada, por fim, e sobretudo após a lesão de Belluschi, Guarín tornou-se um jogador fundamental. Já marcou dez golos, entre Liga e Liga Europa, sete dos quais nos últimos dois meses. Belluschi, por exemplo, diz que Guarín tem sido fundamental e marcado golos importantes. O colombiano sorri.

«Sempre tive a ilusão de marcar o meu nome neste clube. Hoje tenho oportunidade de jogar, mas quando não tive, mantive-me sempre na luta, trabalhei, e melhorei no que tinha de melhorar. Posso dizer que estou a colher os frutos do meu trabalho. Hoje posso mostrar o meu valor e posso ajudar a equipa», diz.

Guarín diz que o que está a viver é muito bom e «é tudo resultado de um trabalho e de um esforço muito grande». «Tudo junto posso alegrar-me», adianta, ele que espera manter a felicidade em Dublin. «Espero que possa marcar, mas ainda não sei como vou festejar. De certeza que vou festejar com alegria.»

Mais importante do que marcar, é festejar o título. «A nossa concentração esteve sempre em ganhar o campeonato. Estamos na Liga Europa desde o início, sempre olhámos para esta prova também com muita vontade de ganhar, entrámos em campo muito respeito e conseguimos chegar à final com justiça.»

Agora garante que é tempo de olhar para o Sp. Braga com muito respeito e impor o futebol do campeão nacional. No fim Guarín espera festejar como já o fez duas vezes esta temporada: em Aveiro e na Luz. Com a bandeira da Colômbia. «Anda sempre uma bandeira connosco. Espero poder mostrá-la no fim.»



Rolando cumpre a terceira temporada no F.C. Porto e é aposta seguríssima de André Villas-Boas no centro da defesa. O colega de sector é que tem alternado, mas o internacional português não se importa.

«Tanto me faz. O Otamendi já é internacional argentino e o Maicon pode chegar à selecção do Brasil. São muito bons. Mesmo o Sereno, que tem jogado como lateral, é uma aposta boa.»

Depois, algumas palavras sobre a final de Dublin. «Duas equipas portuguesas tem um significado especial. Mostra a qualidade do nosso país. É um dos pontos mais altos da minha carreira. Estou aqui para conquistar títulos. A pressão de vencer está sempre presente no F.C. Porto. O Sp. Braga teve muito mérito no percurso que fez.»



Rúben Micael tem feito golos com regularidade na Liga Europa e espera repetir a dose em Dublin. O médio diz que nessa prova usufrui de «mais espaço», mas o bom rendimento não lhe garante um lugar na equipa titular em Dublin.

«Todos os jogadores estão a render. Compete ao treinador decidir», disse, antes de considerar o Sp. Braga «mais complicado do que o Benfica». «Porquê? É uma equipa de contra-ataque e temos de ter muito cuidado. Defende bem, sai depressa na resposta, e temos de gerir bem a posse de bola. Com prazer e sem ir à toa. Vou falar com o meu ex-colega do Nacional, o Leandro Salino, mas não faremos apostas. Apostas não é comigo.»



Souza jogou a titular frente ao Paços de Ferreira, deu uma resposta positiva, mas sabe que o lugar de médio-defensivo está bem entregue a Fernando. O brasileiro do F.C. Porto deixou uma mensagem de humildade aos jornalistas no UEFA Media Open.

«O Fernando tem de ser titular em Dublin. Ele merece. Vai conseguir recuperar e ser titular. Eu espero entrar e ajudar a equipa como fiz em Villarreal. Temos de desfrutar a possibilidade de jogar uma final europeia.»

Souza é um amigo de Alan Kardec, mas não tem falado com o avançado do Benfica nas últimas semanas. «Não, vou deixá-lo refrescar as ideias. Falamos depois.»



Hulk sabe que «a Europa vai estar de olhos na final de Dublin», mas não acredita que o jogo pode funcionar como uma montra. «Não, não acho isso. Estou feliz no F.C. Porto, não estou desesperado por sair, tenho um bom contrato e só me preocupo em fazer as coisas bem», referiu o internacional brasileiro esta quarta-feira, na UEFA Media Open.

«Tenho uma responsabilidade grande, como têm os outros jogadores. O Sp. Braga eliminou grandes clubes, conheço bem todos os jogadores e sei que não vamos ter tarefa fácil.»

Hulk sente-se um jogador «mais forte» e tem muito a agradecer «ao professor Jesualdo e ao André Villas-Boas». «Ajudaram-me a crescer bastante.»

No próximo ano, Hulk até acha que o F.C. Porto pode fazer estragos na Liga dos Campeões. Com Falcao ao seu lado. «Se continuarmos a jogar juntos, é possível que isso suceda. Vamos ver. Selecção do Brasil? Nunca falei com o Mano Menezes nos últimos tempos.»



João Moutinho apanhou um valente susto frente ao Paços de Ferreira. Uma entrada dura de Nélson Oliveira atirou o médio do F.C. Porto para fora do jogo e assolou de dúvidas o espírito do centrocampista.

O próprio Moutinho confessa ter chegado a temer a ausência em Dublin. «Estou melhor e na quinta já devo treinar. Tive medo que algo de grave se tivesse passado. Senti uma dor enorme e tive mesmo de sair», recordou Moutinho, em conversa com os jornalistas esta quarta-feira, no UEFA Media Open.

Nélson Oliveira apresentou um pedido de desculpas e João Moutinho aceitou. «Ele não fez nada com intenção de me magoar.»

Moutinho vai mesmo estar em Dublin e reencontrar Miguel Garcia, Custódio e Hugo Viana, que consigo partilharam a dor da frustração na final da Taça UEFA em 2005. Os quatro estavam todos no Sporting.

Agora, até há uma aposta em cima da mesa. «Falo com o Miguel Garcia regularmente e apostámos um jantar. Quem perder já sabe que vai ter de pagar.»

A primeira época de dragão ao peito está a acabar e tem tudo para ser perfeita. «Falta conquistar duas finais. Se sou um jogador mais feliz? Os resultados ditam isso. A alegria transmite-se para dentro do campo. No primeiro dia em que cheguei ao F.C. Porto percebi que esta organização tinha capacidade para conquistar qualquer objectivo.»


Falcao não é só o goleador do F.C. Porto dentro de campo: fora dele também é o que marca mais golos. O colombiano desperta muita curiosidade entre os jornalistas e garante sempre um título curioso. Esta manhã, por exemplo, respondeu com inteligência ao favoritismo teórico do F.C. Porto em Dublin.

«Grandes decepções na história da humanidade aconteceram quando se subestima o adversário. Não podemos cair nesse erro. O Sp. Braga deixou pelo caminho grandes equipas e por isso tem muito mérito. Nem os jogadores nem os adeptos do F.C. Porto podem considerar-se superiores», referiu.

Depois insistiu-se com a grandeza do F.C. Porto e com a história do clube. «A história aqui não conta. O Vítor Baía e todos os grandes jogadores do passado não vão jogar, por isso a história fica para trás», frisou. «Se acontecer o contrário do que pensamos, a história não vai ter um lugar para nós.»

Ora Falcao diz que o grupo está concentrado em ganhar a Liga Europa e enalteceu todo o plantel. «Tenho dito várias vezes que as individualidades não sobressaem se a equipa não estiver a funcionar bem. Todos os jogadores estão a um óptimo nível e por isso é que algumas individualidades sobressaem.»

Há uma imagem de marca de Falcao (e não tem nada a ver com golos): o colombiano gosta de levar a bola para casa quando tem uma noite especial. Fê-lo a primeira vez com o Spartak Moscovo, quando marcou três golos, e repetiu o gesto no fim da vitória sobre o Villarreal, quando apontou quatro golos.

Ora por isso perguntou-se-lhe se gostava de levar a bola da final de Dublin para casa. O que seria um excelente sinal. «Espero é levar para casa o troféu para casa», disse. «A bola não ficaria mal na minha colecção, mas hoje assinava já por baixo a vitória com um golo nem que fosse do guarda-redes.»

O colombiano foi o último dos jogadores a falar durante o Media Open Day do F.C. Porto, um dia em que os jornalistas podem falar com todos os jogadores por ordem da UEFA, e fez questão de referir que está a viver uma fase única. «É o jogo mais importante da minha carreira, sem dúvida», disse.

«É uma final de uma liga europeia e naturalmente que é importantíssima. O mais relevante, o que todos estamos a pensar, é apenas em levantar o troféu em Dublin. Enfrentámos todas as competições com uma grande mentalidade e na final só entramos com o pensamento de ganhar, claro», atirou.

Pelo caminho perguntou-se a Falcao se tinha a noção que a maior parte dos olhos do mundo em Dublin vão estar nele. «Se tiver a bola, obviamente que vão estar a olhar para mim. Se não a tiver, ninguém quer saber de mim», brincou o avançado entre sorrisos. «Não penso e às vezes não ouço o que se fala.»

A partir daí Falcao partiu para o futuro. «Tenho mais dois anos de contrato, todos os dias sai nos jornais alguma coisa de jogadores, por isso só posso pensar em fazer as coisas bem, depois o futuro fica para o clube e o presidente decidirem», revelou. «Mas acho que todos estamos felizes no F.C. Porto.»

«O melhor golo? Hummm… É difícil lembrar-me de todos»

Numa parte da conversa puramente mais pessoal, foi lançado um desafio a Falcao: eleger o melhor entre os dezassete golos que já marcou na Europa. «O melhor?», questionou antes de fazer uma longa pausa para pensar. «Hummmm… Lembrar-me de cada um dos dezassete golos agora é difícil.»

Por isso finalizou depressa. «Acho que todos são especiais. Gosto muito de fazer golos e eleger um é difícil. Para me lembrar de um por um iria demorar toda a tarde», atirou. «Ser o melhor marcador algo muito bom a nível pessoal, mas que não é o principal porque sobretudo quero ganhar a competição.»

«Ser o melhor marcador de uma prova europeia é algo difícil de alcançar, por isso tenho de agradecer à equipa por me ajudar e a Deus por me dar esta possibilidade. Até que um jogador faça 17 golos numa época, vou ser o melhor marcador. Agora quero fazer mais golos, mas o importante é que a equipa ganhe.»

A finalizar ficou uma confissão: ser o melhor marcador de sempre de uma competição europeia é algo que o enche de orgulho. O colombiano, recorde-se, já apontou dezasseis golos na Europa, mais um na pré-eliminatória com o Genk que a UEFA não contabiliza como um golo oficial de época.

Mas a verdade, adianta, é que nunca foi um objectivo. «Só me dei conta que tinha empatado com Klismann depois do primeiro jogo com o Villarreal, quando fui informado por um jornalista alemão», disse. «Mas nem fazia ideia. Depois no segundo jogo ultrapassei essa meta e estou muito feliz.»

A conversa com Belluschi já estava a chegar ao fim quando o argentino foi questionado sobre quem é o melhor jogador do F.C. Porto. «Creio que Falcao é o melhor», respondeu. «Tem mostrado que é um goleador como há poucos no mundo e espero que possa repetir essa faceta em Dublin.»

O argentino fala como joga, virado para a frente, e não teve receio em deixar a opinião honesta. Antes disso já tinha também elegido o melhor jogo dele no F.C. Porto, por exemplo. «O 5-0 com o Benfica», revelou. «Senti-me muito cómodo, fiz passes para golo e ainda por cima ganhámos 5-0 ao Benfica.»

Este foi de resto, para Belluschi um pouco como para todos os jogadores do F.C. Porto, o melhor ano da carreira em Portugal. «Foi um ano em que joguei, fiz golos e tudo me correu bem.» O único ponto negativo, diz, foi a lesão em Portimão. Mas apenas isso. «Não temi perder a época toda», sublinhou.

«Sabia que ia regressar antes do final da época, sabia que ia recuperar, agora estou bem e estou à disposição do treinador. A titularidade agora vai ser decidida pelo treinador. O importante é que a equipa está e tem mostrado que jogue quem jogar mantemos sempre o bom nível», acrescentou Belluschi.

A lesão correspondeu à entrada no onze de Guarín e em grande forma. O colombiano tem sido aliás um dos destaques. «Claro que o Guarín tem estado bem», diz. «Fez muitos golos e golos importantes, mas todos os jogadores tiveram um ano bárbaro e era muito bonito ganhar a Liga Europa.»

Para garantir esse triunfo, o F.C. Porto deve aproveitar a experiência. «A vantagem que temos sobre o Sp. Braga é que somos um clube com títulos e que já jogou várias finais», disse Belluschi. «Vamos jogar com a cabeça limpa e pensar que o jogo tem noventa minutos e há que jogá-los todos.»

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