Villarreal vs Porto: 3-2

Mai 06, 11 Villarreal vs Porto: 3-2

O F.C. Porto de André Villas-Boas é um bom exemplo para as mais variadas teorias. Esta noite provou aquela que diz que a melhor defesa é o ataque. Num jogo de duas caras, embora, ao contrário da primeira mão, a divisão não se tenha feito ao intervalo, os dragões resolveram uma eliminatória, que nunca chegou a estar em causa, quando ganharam alma para subir no terreno, empurrar o rival e marcar. Mesmo perdendo (2-3), o F.C. Porto está na final da Liga Europa. Está em Dublin, acima de tudo, porque merece. É melhor que o Villarreal, como tinha sido melhor que todos os outros adversários que lhe apareceram pelo caminho. Prémio justo, portanto.

Apesar disso, é de louvar o empenho do Villarreal. Quando entrou em campo, tinha de fazer o que ninguém fez a este Porto: marcar quatro golos. O balanço ofensivo, notado numa equipa que dispunha de um tridente (Nilmar, Rossi e Marco Ruben) que semeou o pânico nos primeiros minutos, foi suficiente para levar o estádio a acreditar. E quando o El Madrigal acredita, tudo fica mais fácil.

É impressionante a força que vem das bancadas. Os adeptos entraram numa onda de fé quase sobre-humana que poderia ter dizimado qualquer equipa. Não chegou para o F.C. Porto. Primeiro porque houve Helton, na fase de maior ataque à baliza portista. O guarda-redes só não travou o golo de Cani, aos 17 minutos. Outra vez ele a fazer estragos…

Eliminatória ganha-se uns metros mais à frente

O remendo ao golo do Villarreal foi resistente o suficiente para garantir que não se voltaria a abrir. Ferida sarada com coragem. A equipa subiu no terreno, passou a destruir o jogo do rival mais à frente e começou a criar mais perigo.

Depois, Hulk arrancou e, com sorte à mistura, fez o empate. O golpe parecia acabar de vez com a ilusão do «submarino amarelo». Mas não foi suficiente para calar as bancadas. Se o F.C. Porto fez cinco golos em 45 minutos, por que não poderia o Villarreal fazer o mesmo? Porque o Villarreal não é o F.C. Porto. A resposta tem a mesma dose de presunção e mérito. Para quem tinha dúvidas, veio nova lição: o Porto confronta a história a cada pontapé na bola.

Pedia-se uma «remontada». Houve duas. Os dragões conseguiram mesmo virar e comandar o jogo. De tal forma que antes do intervalo, Hulk podia ter colocado a equipa na frente. Seria injusto. Mas seria futebol. A segunda reviravolta estava reservada para o fim. Já lá vamos.

Um prémio para o El Madrigal

A entrada do Villarreal no segundo tempo não teve nada a ver com a do primeiro. Reformulando. O F.C. Porto entrou muito melhor. Reduziu os espaços, manteve a postura ofensiva e voltou a marcar, numa jogada perfeita, com marca de qualidade colombiana. James abriu para Guarín, o médio cruzou para Falcao e «El Tigre» fez o resto. De uma vez, duas ultrapassagens: o Porto ficava a ganhar pela primeira vez, Falcao passava a ter o melhor registo de sempre numa temporada europeia.

A partir daí o Villarreal deixou de acreditar. Tiros a mais num submarino que já chegava frágil à peleja. O F.C. Porto aproveitou para mostrar credenciais. Guarín, um dos melhores em campo, atirou à trave. James perdeu na cara de Diego López um golo «à Barcelona». Rendilhado perfeito, quase ballett clássico, com o artista a escorregar no momento da decisão. O jogo não morreu aí, acabou por ressuscitar. Obra de um fantástico El Madrigal. Novo grito de incentivo para a equipa que passou a querer, pelo menos, ganhar o jogo.

Conseguiu-o na recta final. Capdevilla aproveitou uma desatenção da defesa portista e fez o empate. Rossi, de penalty, deu nova reviravolta. Foi a «remontada» possível e um prémio para quem tanto acreditou na equipa.

O F.C. Porto, esse, segue viagem para Dublin com todos os créditos e mais alguns, devidamente firmados. Se numa final devem estar os melhores, então, no conjunto das duas mãos, não há dúvidas que os dragões tinham de ter lugar marcado.



André Villas-Boas, treinador do FC Porto, analisa a passagem à final e o reencontro com o Sp. Braga em Dublin, após eliminar o Villarreal, em declarações ao «flash interview» da Sport TV:

«O Villarreal pressionou muito, mas o FC Porto passa à final com muito mérito e estamos muito orgulhosos de a ter atingido. (¿) Esta equipa tem construído um grande percurso na Europa, caiu aqui, mas podia ter ganho. Resistiu ao impulso inicial do Villarreal, mas podia ter ganho.»

[Sobre as situações de Moutinho, Rodriguez e Fernando] «São casos que foram acontecendo. O Cristiano parece que tem uma rotura muscular, depois tivemos a lesão de Fernando e fomos fazendo as adaptações necessárias. Sentimos um pouco as palavras do treinador do Villarreal, não foi educado com a instituição FC Porto, não teve respeito, não só pelo que fez publicamente, como pelo comportamento no Dragão. Foi um sentimento que nos invadiu.»





[Sobre o Sp. Braga de Domingos, que admirava em miúdo] «São histórias curiosas e é um desafio óptimo. O Sp. Braga eliminou boas equipas, como o Sevilha, teve um grupo difícil com Liverpool e depois encontrou o Dínamo Kiev, vem da Champions, mas não é nada de anormal numa final, aconteceu com o At. Madrid na época passada, provoca-nos um desafio alucinante e esperamos estar à altura.»



Alvaro Pereira, defesa do F.C. Porto, em declarações no final do encontro com o Villarreal:

«Sabíamos que eles iam entrar com tudo, mas nós tínhamos de gerir a vantagem. Quando começámos a jogar bem conseguimos o 1-1 e depois equilibrámos o jogo. Sabíamos que ia ser difícil, não se pode começar sempre a ganhar. Mas conseguimos passar, que era o mais importante.»

[Sobre a final] «Estamos tranquilos, vamos descansar. Braga e Benfica seriam sempre do nosso campeonato, vamos fazer tudo para conseguir trazer mais um troféu.»



Otamendí, central do F.C. Porto, comentando o apuramento para a final da Liga Europa, no El Madrigal:
«Estar numa final europeia no primeiro ano de Porto é algo muito lindo e especial para mim. Já ganhámos o campeonato e temos duas finais para jogar. Ganhar uma competição europeia é o sonho de qualquer jogador. Integrei-me muito bem no grupo e agora temos 90 minutos numa final para conseguir uma vitória para nós e para o corpo técnico.»

[O jogo de hoje] «Tínhamos uma vantagem importante, mas o Villarreal tinha o seu jogo e nós precisávamos de defender e controlar bem a bola. Sabíamos que eles iam atacar e a vitória foi merecida. Jogámos de igual para igual e fizemos um jogo inteligente.»

[Favoritos para a final?] «Na final, todos querem ganhar. Dura 90 minutos e a intenção é coleccionar mais um título. Temos de respeitar o adversário e fazer o nosso jogo»

[Sobre o penalty:] «Não achei que fosse lance para vermelho. Não consegui tocar na bola, mas também não foi uma falta grave.»



Hulk, avançado do F.C. Porto, em declarações no final do encontro com o Villarreal:

«Este ano as coisas correram melhor e estou muito feliz por ajudar o Porto. Tenho mais três anos de contrato com a equipa e são os meus agentes que têm de ver isso. Se ficar, fico feliz, porque gosto de jogar no Porto. Se tiver de sair e for bom para mim e para o Porto, fico bem na mesma. Final? Se fosse com o Benfica era um Clássico e era uma questão maior, mas o Braga merece estar na final, eliminou grandes equipas e vai ser um jogo bonito de se jogar.»





Rúben Micael, médio do F.C. Porto, em declarações no final do encontro com o Villarreal:

«Perdemos o jogo porque no segundo golo toda a gente viu o que se passou menos o árbitro. O mais importante era conseguir a qualificação. Queremos agora dar mais um troféu ao F.C. Porto. Sabíamos que eles iam entrar muito fortes, mas também sabíamos que íamos passar. Nenhuma equipa nos ia dar quatro ou cinco sem nós marcarmos. Final inesperada? O Sp. Braga tem grande equipa e mostrou isso desde o início da época. Mereceu estar na final e vai ser um jogo muito bom. Favoritos? As finais são 50-50. O Porto não é favorito.»

[Sobre a importância de Villas-Boas no grupo] «Desde o inicio que disse que os métodos de trabalho eram diferentes, mais agressivos. O pessoal não facilitava e isso ajuda imenso. Nos jogos temos mostrado isso. Ele tem mérito em termos feito uma grande equipa.»

[Sobre a arbitragem] «Na segunda parte o campo parecia que estava inclinado. Acontece. Mas conseguimos estar juntos. No segundo golo foi uma decisão dele. Às vezes criticamos os árbitros portugueses e na Europa vemos pior.»

Pinto da Costa, presidente do F.C. Porto, em declarações no final do encontro com o Villarreal:

«Fiquei feliz pelo Sp. Braga, pelo seu presidente, que é meu amigo, pelo Domingos, que também o é. Mas isto é em termos afectivos. Do lado desportivo seria mais fácil para nós o Benfica. Porquê? Já lhes ganhámos duas vezes na Luz, já ganhámos na Supertaça e o Benfica, para nós, este ano, foi sempre mais fácil.»

[Sobre os festejos exuberantes no El Madrigal] «Os jogadores festejaram a passagem do F.C. Porto, até porque já estavam no balneário quando souberam que o adversário seria o Sp. Braga. Mas também admito que tenham festejado pelo Braga.»

[Final de Dublin] «Numa final não há favoritos, será sempre para ganhar.»

[Sobre a notícia de «Marca», que dava conta de um jantar do árbitro da primeira mão com dirigentes dos dragões] «Tentaram dizer que o F.C. Porto desconfia do José Mourinho como fonte da Marca, mas é falso. Somos amigos e o José Mourinho é um grande senhor.»

[Cobiça a Falcao] «Já estamos a arranjar um cadeado para o prender.»

Adira à nossa página no Facebook e fique sempre a par das novidades

De momento os comentários estão inactivos neste post, devido a um problema com o facebook. Iremos repor os comentários tão breve quanto possível. Obrigado.

468 ad