A imagem daquilo que queremos (voltar a) ser…
Numa semana preenchida por um misto de desespero e esperança, um misto do sabor amargo com outro adocicado, o coração portista fica um pouco dividido.
Não querendo alongar-me sobre o tema da eliminação da Taça de Portugal, que gorou a possibilidade de uma inédita conquista de quatro troféus seguidos desta competição, foi o jogo mais doloroso desta época até à data.
Com uma equipa onde a única novidade esteve no guarda-redes Bracali, o resultado frente à turma dos estudantes, apesar de excessivo, acabou por se ajustar ao desenrolar dos acontecimentos no relvado de Coimbra. A incompetência dos jogadores do F. C. Porto “esbarrou” estrondosamente na eficácia, determinação e organização da equipa da Académica que, com Pedro Emanuel nos comandos continua a surpreender (e de que maneira). Sem dúvida um jogo para esquecer, com consequências bastante graves para um clube com a grandeza e aspirações do F. C. Porto.

Arrefecidos os ânimos e atenuadas as tensões que fervilharam logo após esta precoce eliminação da Taça de Portugal seguiu-se o palco europeu, num jogo de “tudo ou nada” e onde francamente as expectativas não eram as mais encorajadoras, muito embora um dragão acredite sempre naquele que é o estado natural deste clube que é o de vitória. E o regresso imediato a esse estado era tudo aquilo que se esperava e se exigia frente ao Shaktar Donetsk.
Raça. querer, perseverança, embora sem a lucidez e o brilhantismo a que esta equipa nos habituou a época passada. Foi esta a última imagem com que ficámos deste Porto de Vítor Pereira. A imagem de “arreganho”, de “manga arregaçada”, de “fato-macaco”, o que quiserem. Se for essa a forma de atingir os objectivos, batalhando e lutando pela sorte, fazendo menos bonito, então que seja. Desde que vençamos e no final das contas sejamos os melhores e ergamos mais troféus, assim se faça.

Como já disse em artigos anteriores, a “aura cintilante” da época passada dificilmente voltará à cena neste ano, neste contexto. Culpa de jogadores, de treinador e respectiva equipa técnica, de administrações e de algumas decisões e posições que foram tomadas. Tudo isto junto levou a uma conjuntura que promove a situação actual com que o futebol sénior do clube se defronta actualmente.
Porque o F. C. Porto (tal como outros clubes) não se resume nem confina a sua vitalidade apenas ao futebol sénior. E a esse nível, as modalidades e os escalões de formação do clube encarnam toda a competência e espírito vitorioso e tem tido essa continuidade, que certamente dará frutos positivos nas contas finais deste ano.

Espero profundamente que o que disse Pinto da Costa (“O FC Porto que esteve em Coimbra morreu”) seja uma realidade, independentemente do que venha ou não a ser decidido para o futuro do clube a curto-prazo. Acima de tudo, de vedetismos, de descontentamentos, de faltas de liderança, de discordâncias, são estes os momentos em que realmente o SOMOS PORTO se aplica e se pratica à flor da pele.
Haja esperança e espírito de união e luta e o PORTO surgirá de novo no horizonte da vitória.
Abraços e até para a semana,
Diana Maia




