Entrevista a Hulk

Jan 01, 12 Entrevista a Hulk

Pela sétima vez, a primeira sem a presença física do seu patrono, foi atribuiu o Prémio Artur Agostinho. Este ano, a escolha recaiu no brasileiro Hulk, pelo extraordinário desempenho futebolístico do avançado do FC Porto ao longo de 2011 – e pelos títulos que alcançou.

É Givanildo, o homem, e não Hulk, o jogador de futebol, que lá vem. A explosão e a força ficam dentro de campo. Fora dele, como nas escadas que o conduzem ao lugar onde o esperamos, o brasileiro tem o sorriso de ambos, mas pouco de Hulk. Givanildo move-se com o vagar e a serenidade de quem está de bem com a vida, de quem está feliz. Não há repentismos, não há movimentos inesperados. E a tranquilidade só é abalada quando Pinto da Costa deixa as suas primeiras palavras ao jogador. “Hulk, podes ir embora que eu já recebi o prémio por ti”, diz. Givanildo responde com um sorriso à entrada desafiante do líder portista. “Ó presidente…”, deixa no ar, como quem já está habituado às brincadeiras do dirigente azul e branco.

Foi assim que começou a cerimónia de entrega do Prémio Artur Agostinho 2011 a Givanildo Vieira de Souza, agora, porque foi o futebol que apresentou ao longo de todo o ano que o elegeu, já como Hulk.

Como avalia o comportamento do FC Porto na época 2011/12, numa altura em que o clube já foi afastado da Taça de Portugal e da Liga dos Campeões?

É claro que poderíamos estar numa posição mais confortável se não tivéssemos sido afastados da Liga dos Campeões e da Taça de Portugal. Fica um gostinho amargo, mas penso que agora estamos bem. O objectivo maior é conquistar o Campeonato Nacional e estamos na liderança, portanto…

Como justifica a fase cinzenta do seu clube no início da época?

As pessoas dizem que tudo se deveu ao treinador. Mas quem o conhece e conhece o seu trabalho, sabe muito bem que não. Quando os resultados não aparecem, a culpa cai logo em cima dele. Eu tenho consciência, aliás como todo o plantel, de que atravessámos uma fase em que não estivemos ao nosso melhor nível. Mas também sei que recuperámos, aliás como os resultados estão a provar. Toda a gente fala agora da nossa melhoria e isso é a prova evidente de que o problema não era o treinador. Se repararem, o treinador é o mesmo desde início da época…

O Hulk fala como um líder. Já se sente um líder no clube, não só em campo mas também fora dele?

Todos me aceitam e todos me respeitam. Tento ajudar todos os colegas, principalmente os novos, mostrando-lhes o que é o FC Porto.

O ano de 2012 abre logo com um clássico, Sporting-FC Porto, em Alvalade. É só mais um jogo do campeonato ou é um jogo muito importante para o campeonato?

É mais um jogo do campeonato, que é muito importante para o campeonato. É um clássico difícil, ainda para mais em Alvalade, mas vamos procurar chegar ao dia do jogo fortes para ganharmos ao Sporting.

Ainda assim, é o Benfica o principal adversário na luta pelo título?

Não só o Benfica, mas também o Sporting e ainda o Sp. Braga. Mas só dependemos de nós para sermos campeões nacionais, mais uma vez. Não temos de pensar muito nos adversários.

 

 

Qual é a equipa que mais gosta de ver jogar?

O Barcelona. É uma equipa que joga sempre da mesma forma, que tem a sua ideia de jogo, e aplica-a independentemente do adversário que tiver pela frente. É uma equipa que qualquer jogador pára para assistir.

Podia dar-se bem lá?

Não sei. Se fosse bom para todos não tinha problema nenhum, mas, quero vincar, não estou a dizer que quero ir para lá.

E na melhor equipa do Mundo está o melhor jogador do Mundo, Messi?

Sim, é o melhor, é diferente. O Cristiano Ronaldo é um grande jogador, tanto é que é o maior rival do Messi. O Ronaldo é completo, é rápido, habilidoso… Mas o Messi é o melhor. Além disso está no Barcelona e ganha mais troféus, o que também ajuda quando pensamos em qual deles é o melhor.

E o Neymar?

O Neymar é um grande jogador, um craque. Hoje é o destaque na seleção do Brasil, mas tem de vir para a Europa. O campeonato brasileiro já é muito bom, mas os melhores estão aqui e por isso ele também tem de vir.

«Jogo onde desejarem desde que faça golos»

 Onde se sente mais à vontade a jogar: como ponta-de-lança ou nos flancos?

Jogo em qualquer lado, onde o mister precisar de mim.

Mas onde é que considera que pode render mais?

Quando jogo como extremo e faço um ou dois golos, as pessoas dizem que tenho de jogar ali. Depois jogo como ponta-de-lança e volto a marcar e as pessoas dizem que já me adaptei e que tenho de jogar ali. Então, independentemente do lugar onde jogo, se fizer golos, está tudo bem para mim. Cresci desde que cheguei à Europa e isso é que é importante.

 

 

Desde muito cedo que acreditou ser possível cumprir o sonho de ser futebolista profissional? E é por essa razão que se explica o facto de ter deixado o Brasil ainda menor para jogar no Vilanovense, em Vila Nova de Gaia? Do outro lado do rio…

Sim, eu tinha o sonho de ser jogador. Tornei-me profissional de futebol com apenas 16 anos, mas nunca imaginei ser respeitado na Europa como sou, ser reconhecido como sou, e ter o nome que tenho. Foram coisas que nunca me passaram pela cabeça nem que nunca meti na cabeça como um objetivo de vida.

Hulk: «Vou fazer tudo por tudo para estar no Mundial»

O facto de jogar na posição 9 ajuda-o ainda mais a ser chamado à selecção do Brasil?

Há quem considere que sim, mas a verdade é que eu cheguei lá quando jogava como extremo no FC Porto. Penso que o seleccionador já sabe como jogo e, por isso, jogar como extremo ou ao centro é indiferente. Além disso, no Brasil ou no FC Porto, eu quero é jogar e ajudar as minhas equipas.

 

Melhores momentos de HULK:

 

Thiago Silva foi eleito este sábado o melhor jogador brasileiro a actuar na Europa em 2011, sendo o vencedor do prémio Samba d’Ouro. Numa iniciativa do site francês “Sambafoot”, o central do AC Milan levou a melhor sobre Daniel Alves (Barcelona), que foi 2.º, e sobre o portista Hulk (3.º).

O antigo central do FC Porto, que sucede assim a Maicon (Inter), conquistou a distinção depois de ter reunido 16,33 por cento dos votos. No entanto, a luta foi muito renhida, ficando Alves com 15,56 por cento e Hulk com 14,41.

Nesta lista surgem também os benfiquistas Luisão e Bruno César, que foram 19.º e 20.º, respetivamente, e ainda o avançado do FC Porto Kléber, que foi antepenúltimo entre 30 jogadores.

 

 

O ano de 2011 foi o seu melhor de sempre?

Sem dúvida. Quando voltei a jogar depois de ter estado temporariamente afastado dos relvados na época anterior, senti que era muito importante estar bem. Penso que esse objectivo foi conseguido em termos individuais. Ultrapassar essas barreiras e não ser obrigado a parar por lesões graves ou castigos, ajudou. Depois, o ano foi marcante pelos títulos que conseguimos a nível colectivo, desde a conquista do campeonato sem derrotas até à vitória na Liga Europa.

Jesualdo Ferreira escreve sobre Hulk:

Os seus limites serão sempre emocionais

As palavras de Hulk sobre o trabalho que fizemos com ele quando chegou ao FC Porto reflectem o cuidado presente na sua adaptação ao futebol europeu.

Analisando agora o jogador em que se tornou, penso que conseguiu a evolução normal para alguém com o enorme potencial que apresentava à altura.

Quando o contratámos, tive a oportunidade de o observar e o que via era um jogador que já fazia coisas extraordinárias e que poderia vir a fazer muito mais no futuro, pelas qualidades físicas que tinha e pela capacidade que revelava em competição.

 

 

 


468 ad