Exige-se competência e vitórias
Pode parecer sobranceria mas é a mais pura das realidades – o F.C. Porto depende apenas de si para terminar o campeonato nacional em primeiro lugar. Basta para isso vencer todos os desafios que se avizinham nas jornadas que completam a segunda volta. Vencer sempre, nunca contando com eventuais “escorregadelas” do principal rival que lidera há duas jornadas. Ou seja e dito isto, o panorama com o qual o F.C. Porto se depara na principal competição nacional, não se compadece de quaisquer erros ou de mais “desperdícios” pontuais.
Neste fim-de-semana, mais uma jornada com a recepção ao Rio Ave debaixo de um dilúvio que em pouco afectou o jogo porque um dos melhores relvados do Mundo mora no Dragão. Mais uma vez a já habitual inépcia atacante, com James a “desenferrolhar” a baliza adversária e a encontrar o caminho para o golo por duas vezes. Também se vai confirmando que Hulk não é opção para o centro do ataque, uma vez que isto provoca uma quebra de rendimento e uma perda das maiores potencialidades do “Incrível” nas alas a construir jogadas de ataque e a descobrir formas de “romper” rumo à baliza do adversário. Desta forma Hulk ou fica mais preso no centro da defesa ou se por outro lado, cai na tentação de fugir para a ala para recolher a bola, fica um “buraco” no centro do ataque ao qual ninguém acorre na hora do cruzamento.
E para agravar a situação, Kléber confirma que, não podendo ser (ainda) considerado um “flop”, não está de todo preparado (nem mental nem fisicamente) para assumir as “despesas atacantes” desta equipa. Isto traz inevitavelmente a questão que todos os portistas esperam ver resolvida neste defeso de Inverno: a contratação de um ponta de lança felino, matador e com um instinto de golo condizente com as exigências de um clube com os pergaminhos do F.C. Porto. É a primeira vez que exponho tão concretamente esta “preocupação”, mas realmente e de jogo para jogo já se tornou uma questão absolutamente incontornável.
Após a saída de Hulk lesionado na segunda parte e com a entrada de Défour e Iturbe, curiosamente a equipa tornou o seu jogo mais fluido, talvez por não sentir a constante necessidade e pressão de procurar Hulk na construção de todas as jogadas. Iturbe foi mais uma vez uma óptima “surpresa”, com uma desenvoltura e espontaneidade que lhe são reconhecidas, deixando boas referências para o futuro. Será para isso necessário que lhe continuem a ser dadas oportunidades para demonstrar o seu valor e para se ir integrando dentro da equipa em contexto de competição.
E no meio de tudo isto, James foi a “jóia da coroa” nesta noite chuvosa de Inverno e demonstrou toda a sua disponibilidade e capacidade para ser um dos protagonistas da equipa do F.C. Porto nesta difícil época de transição.


Voltando à “vaca fria”, Kléber demonstra estar nervoso, sem confiança e sem convicção naquilo que realmente é capaz. Mas para jogar e ter lugar num clube com os níveis de exigência do F.C. Porto é preciso uma grande dose de tudo o que lhe tem faltado e ainda mais duas coisas – Garra e Paixão.
Do pouco que demonstrou no início da época, actualmente o brasileiro não apresenta absolutamente nada e isso é um grave problema que se tem “arrastado” com discursos que apenas colocam ainda mais pressão sobre um jogador que neste momento não tem condições para ocupar a posição que ocupa num clube com a dimensão do F.C. Porto. Mas isto é como em tudo, as coisas evoluem e podem mudar e obviamente desejo estar a reconhecer aqui o meu erro ou precipitação relativamente a Kléber daqui a uns meses.

No regresso da malograda Taça da Liga, o Dragão preencheu pouco mais de 15 000 lugares para receber o Estoril Praia, actual líder da Liga Orangina. Um F.C. Porto avassalador, mas com alguma falta da “estrelinha da sorte” na hora de visar a baliza.
Com Kléber como opção inicial para o centro do ataque (em virtude da ausência forçada de Hulk), mais uma vez o brasileiro esteve totalmente ausente, precipitado, desconcentrado e no geral mau demais. Chegou sempre atrasado, nunca se conseguiu enquadrar com a bola em nenhuma das infindáveis ocasiões em que ela foi cruzada para a área. Quando vinha recolher a bola mais atrás, foi quase sempre inconsequente e perdia a bola. Se na primeira parte ainda teve uma arrancada pela esquerda até ao interior da área onde uma recepção deficiente facilitou o corte do defesa adversário, com o decorrer dos minutos Kléber pura e simplesmente “desapareceu” do jogo. O maior destaque na exibição do avançado foi precisamente o falhanço frente a Wagner, com um pontapé na atmosfera quando tinha a bola à sua mercê à boca da baliza. Isto é portanto, sintomático e deixem-me acrescentar, algo inadmissível.
Álvaro Pereira foi o metrónomo que ditou os ritmos da “música” portista em campo, com uma disponibilidade física ao seu melhor nível actuando quase como “pulmão” desta equipa. Tem sido para mim até agora o jogador que melhor incorpora e mantém o espírito determinado e guerreiro da época passada, talvez em igualdade com Hulk sejamos justos.
Quase a fechar a partida, uma passividade inexplicável da defesa (e Rolando nem estava a jogar), que poderia ter comprometido o resultado com um injustíssimo empate, não fosse a perdida incrível de Moreira.


Vítor Pereira disse no final do jogo que Kléber trabalhou bem e para a equipa e por isso estava de parabéns. Eu compreendo perfeitamente e apoio que não se façam julgamentos de qualquer jogador em público, mas sinceramente o treinador do F.C. Porto à falta de saber o que dizer, repete vezes sem conta discursos sem fundamento. Não lhe peço para admitir publicamente o que todos já cogitamos sobre este jogador e a necessidade de encontrar um ponta de lança ao nível daquele que vendemos ao Atlético de Madrid e que vai “enterrando” o seu talento no último terço da tabela da liga espanhola. Apenas peço consciência, lucidez e noção da realidade. Espero portanto que este discurso seja no sentido de proteger o jovem que precisa de tudo menos de apupos nesta fase de “crise existencial” como jogador, mas que as devidas diligências estejam a ser tomadas para que a situação seja colmatada o mais brevemente possível.
Abraços e até para a semana,
Diana Maia




