Futuro mais animador?

Jan 28, 12 Futuro mais animador?

Sub-título: E um rival “humilde” que nos pode dificultar muito a caminhada.

Sem Hulk mas … muito bom! Bons automatismos, jogadas com fluidez e curiosamente uma maior tenacidade e eficácia na hora de marcar. Até Kléber (que aqui duramente critiquei no meu último artigo) puxou dos “galões” e mostrou predicados que já há muito não se lhe viam. Embora tenha mantido a sua “travessia no deserto” no que a golos diz respeito, ao menos demonstrou que a sua mobilidade na frente de ataque pode abrir “brechas” para outros colegas finalizarem com sucesso e pelo menos isso pode ir sendo suficiente para alcançar os objectivos. Com este exemplo foi mais uma vez possível confirmar que Hulk pode ser o “maestro” mas esta “orquestra” portista consegue tocar na perfeição mesmo sem estar sob a batuta do “Incrível”.

Este jogo teve também outro motivo de interesse com Danilo (finalmente!) a fazer a sua estreia, confirmando que as suas capacidades poderão a curto prazo fazê-lo num jogador fundamental no esquema táctico portista. Pelo que Danilo produziu nos minutos que esteve em jogo, acho que…temos craque!

Tendo ainda em conta a “habilidosa” exclusão de Fernando do próximo desafio frente ao Gil Vicente, será interessante ver de que modo Danilo se poderá encaixar na equipa, talvez um pouco mais atrás fazendo a posição do “Polvo”. A ver vamos se Vítor Pereira aproveitará para lançar a mais recente “pérola” do plantel para um encontro extremamente exigente em Barcelos.

Quanto a Varela voltou e esperemos que para ficar. Vimos o jogador fantástico e motivado da época passada, “rasgando” a torto e a direito a defesa adversária e com um controlo de bola soberbo. Foi um dos principais responsáveis pela ausência de saudades de Hulk neste jogo.

Sobre Álvaro Pereira já começa a ser desnecessário fazer destaques, uma vez que está a “todo o vapor” e com uma qualidade de jogo ao melhor nível que já nos habituou.

E fazendo justiça, até Rolando puxou da cartola e marcou um golo de belo efeito, mesmo à ponta-de-lança. Pode não ser a solução mais natural, mas desde que os golos vão surgindo isso é o mais importante.

 

 

Há poucos dias surgiu uma notícia que mais uma vez coloca o F.C. Porto com destaque Mundial. O eterno Dragão Vítor Baía foi considerado o melhor guarda-redes português dos últimos 25 anos pela IFFHS, ocupando a 15ª posição do ranking.

Parabéns Vítor, és sem dúvida alguma alguém que personifica mais fielmente aquilo que é o “Ser Porto”, o ser profissional e apaixonado pelo que faz!

 

 

Na semana do septuagésimo aniversário do “Pantera Negra” – efeméride pomposamente celebrada em todos os meios de comunicação – tive conhecimento de declarações de Eusébio sobre o jogo contra o Benfica quando representava o Beira-Mar em 1977, já em final de carreira. Para quem ainda não as conhece deixo aqui mais esta perola da Verdade Desportiva:

 

 

Também convém ler estas declarações:

Dessa aventura aveirense, Eusébio também guarda recordações de um Beira-Mar – Benfica. “Estava 2-2 aos 90 minutos e havia um livre directo no limite da área do Benfica. Não sei o que se passou comigo, mas comecei a tremer com aquelas camisolas vermelhas todas à minha frente, aquelas caras familiares. E recusei bater o livre. Passei a bola ao Sousa, que atirou por cima. Esse falhanço foi esquisito pois senti-me aliviado pelo Benfica não ter saído derrotado de Aveiro.” Sousa confirma. “Havia três marcadores de livres: o Eusébio, o Manuel José e eu. Nesse momento, o Eusébio recuou e passou-me a bola.” Ficou 2-2, o Beira-Mar desceu de divisão, mas o Benfica foi campeão nacional, para contentamento de Eusébio.”

In Jornal I de 06-03-2010

O Benfica foi campeão nessa época. Se esteve ligado a este jogo? Julgo que não, de todo. Mas este seria um facto que a envolver um ex-jogador do F.C. Porto serviria certamente para alguns apaniguados garantirem com toda a certeza que esse era um exemplo de um campeonato “viciado” a favor do F.C. Porto.

Mas facto é que actualmente, a muitas décadas de distância, a opinião pública não vê nada mais nestas declarações do que amor eterno e sincero de Eusébio ao “seu” SLB. Eu pessoalmente vejo o exemplo daquilo que era abertamente aceite nos tempos da “velha Senhora”: os mais poderosos tinham direitos e privilégios que não eram contestados por ninguém (ou pelo menos não lhes era permitido fazê-lo abertamente). A igualdade não era opção, não era sequer admissível e portanto não era exigida.

Também vejo uma descomunal falta de profissionalismo, de brio e atrevo-me a dizer, de vergonha. Mas nesse tempo “era assim que as coisas se faziam” dirão alguns. Poder-me-ão obviamente recordar que foi em 1977 já no pós-Salazar, mas este episódio exemplifica na perfeição as réstias do “maneirismo fascista” no qual a sociedade e obviamente o desporto estiveram embrenhados durante tantos e tantos anos. Mas felizmente, para o bem e para o mal, todos podemos actualmente exigir igualdade, assumindo-o sem medos ou reservas.

Jorge Jesus também se juntou à festa de aniversário de Eusébio e declarou que o Benfica é uma equipa consciente, que está a jogar bem, mas que vive o dia-a-dia porque no futebol tudo muda de um momento para o outro. Acrescenta que o Benfica tem de ser humilde…HUMILDE, leram bem! Mas que diferença, que distância para o discurso do ano passado. Mais uma vez alerto para o perigo desta nova postura benfiquista, ainda maior agora que lidera o campeonato e lá se vai segurando há já três jornadas.

O melhor Porto, o mais competente, rigoroso e acima de tudo o mais humilde terá de estar sempre presente e poderá não ser suficiente. Temos de ganhar, com ou sem “nota artística”, com ou sem espectáculo e brilhantismo, as vitórias terão de ser o único resultado admissível. Exercendo esta máxima, jogo a jogo vamos lutar até ao último fôlego por este objectivo e atingi-lo no final, como todos esperamos.

SOMOS PORTO, SEMPRE!

Abraços e até para a semana,
Diana Maia

 


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