Más companhias…

Jan 03, 12 Más companhias…

O futebol tem destas coisas… Nem todos os que sabem dar uns toques na bola têm o cérebro tão desenvolvido para outros fins, o que não deixa de ser uma coisa muito triste. Hoje vou falar de um jogador chamado Bruno Alves, mas podia falar de dezenas e dezenas de outros jogadores! Quem não se lembra do Jardel, aquele que sempre queria sair para uma liga mais competitiva e para um clube onde ganhasse títulos europeus, e que infelizmente para ele, viu todos esses títulos serem conquistados pelo FC Porto pouco depois de ter abandonado o clube!

O Bruno Alves é outro daqueles jogadores que passou ao lado de uma grande carreira, por falta de inteligência e por ser mal orientado. Não me entendam mal, ele teve e tem uma boa carreira, mas ter ficado no clube do seu coração onde era amado por todos torna-lo-iam um jogador de referencia e não mais um que saiu do clube e que acabou por cair no esquecimento do próprio futebol.

Nem sempre as boas intenções chegam para nos projectar num grande futuro, eu não tenho duvidas que o seu pai/empresário sempre quis o melhor para o seu filho/representado, mas isso não basta. É preciso o tal condimento que muitos não têm ou não querem desenvolver, chamado inteligência e competência! E neste campo os dois têm o mesmo défice de massa cinzenta: um por não saber separar a família dos interesses e negócios pessoais, outro porque da indústria do futebol NUNCA percebeu nada. O que gostava era de dar entrevistas dizendo que o seu filho tinha muitas propostas de grandes clubes europeus e que estava na altura de sair para um grande clube, esquecendo-se que ele estava no FC Porto. O clube que em toda a Europa mais títulos ganhou no sec XXI! E já lá vão 11 anos!

E, aconteceu o que acontece com 90% dos jogadores que saíram do Porto, por pensarem apenas nos tostões e que acabam no esquecimento. Para aquelas pessoas que estão a pensar, pois isso é tudo muito bonito de se falar, mas o dinheiro compensa tudo, pois bem, como os tostões não são mais importantes do que o desafio da carreira, e o prazer de se fazer o que se gosta num sitio que se ama, acabam por mais cedo do que pensam, querer trocar novamente esses milhões por menos dinheiro num campeonato mais competitivo.

Por isso é sempre muito engraçado revermos o que dizem quando pensam em sair com declarações como estas:

 

 

Mas esquecem-se de analisar as realidades, voltam a pensar apenas com a carteira, e depois acontece o que sempre acontece nestas situações, o Esquecimento, o Desaparecimento do nome do jogador na grande roda do futebol. Ao ponto de mais tarde acharem óptimo poderem vir a jogar novamente em Portugal mas numa equipa como o Sporting…

Quando se fala de um projecto, não apenas no futebol, é preciso ter alguns pontos em consideração, antes de nos tornarmos mercenários, no caso do Bruno Alves e do futebol em concreto, caso ele fosse inteligente (no meu ponto de vista) iria analisar os seguintes pontos:

  • O clube onde estou dá-me condições para continuar a evoluir?
  • O clube onde estou permite-me receber um ordenado que dá para pensar no presente e no futuro?
  • Estou num clube onde tenho a confiança e carinho dos responsáveis? Para poder entrar em cada jogo com a confiança necessária para desenvolver da melhor forma o meu papel?
  • Estou num clube onde os adeptos me apoiam? E que me permitem ter um pulmão forte para aguentar todos os desafios do dia-a-dia?
  • Estou num clube que tem como objectivo alcançar títulos importantes, que me permitirá continuar a ter alegria e “tesão” por jogar à bola?
  • Estou num clube e num país organizado e bem estruturado que me permite pensar apenas na minha profissão?
  • Será que o clube que represento tem chances de conquistar tais títulos? E dessa forma ajudar-me a que fique imortalizado nessa equipa e conhecido no mundo do futebol? Não apenas hoje, mas para todo sempre?
  • Será importante representar o clube do meu coração?

Estes e muitos outros pontos, deveriam estar sempre presentes na cabeça de todos os jogadores e de todos nós quando pensamos na nossa carreira. Quem vai conhecer o Bruno Alves daqui a 20 anos? Ninguém! Apenas os Portistas e alguns portugueses! Mas se ele ficasse no Porto e acabasse a careira no Porto, com todas as conquistas que temos tido? Certamente ficava imortalizado na historia do FC Porto e quem fica na história deste clube, naturalmente é conhecido por toda a gente e também imortalizado no mundo do futebol. No futebol tal como na vida comercial “normal” ninguém se lembra dos vampiros, aqueles que por falta de inteligência ou de carácter trocam de camisola por meia dúzia de euros a mais.

E qual é o resultado? FRUSTRAÇÃO! Eu penso que consigo entender a frustração de um jogador como o Bruno, que era titular numa das melhores equipas da Europa (e do Mundo), que tinha um dos ordenados mais altos do plantel, mas que por más influencias, trocou tudo isso por 20 ou 30 mil euros a mais. Realmente muitos estão a pensar… 30 mil euros? Uiiiii isso é dinheiro que nunca mais acaba! Concordo que é muito dinheiro, mas vamos pensar por outro lado, para quem ganhava mais ou menos 130mil euros, vinte ou trinta a mais será que faz assim tanta diferença? E, pior do que isso, chega a não valer nada quando se troca o amor e o desafio da profissão apenas pelo dinheiro e se vai jogar para um país como a Rússia!

Que resultado esperava? Se existe algo em comum entre todos os mercenários, é a perda de amor por aquilo que fazem, e quando se perde o brilho nos olhos, quando se perde o amor e o tesão de se levantar todos os dias a pensar naquilo que se vai fazer, perde-se o lugar na equipa e perde-se a competência! E depois, como está acontecer com o Bruno, quando surge uma hipótese de vir para um clube como o Sporting, tem-se este tipo de resposta: “O Sporting é um excelente clube e do topo nacional. Não posso fechar a porta ninguém” penso que está tudo dito do estado de espírito do Bruno.

Mas mais incrível é um representante que ainda por cima é pai – e talvez por isso aconteçam estas coisas – que depois de ter dito que estava na altura de dar um salto para outra realidade venha agora concordar com o filho e dizer isto de uma equipa como o Sporting:

 

 

É preciso estar-se muito aflito para depois de se estar no Porto, achar-se óptimo representar o Sporting!

Mas aqui o ponto nem é se vai para o Sporting ou para o Barcelona, o que importa é o estado de espírito de um jogador que queria sair de uma equipa do topo da Europa, apenas para ganhar mais uns tostões, e que passado nem dois anos já não se importa de vir a ganhar muito menos do que ganhava no FC Porto e para um clube que está anos luz de lhe permitir o que o FC Porto lhe permitia, que me perdoem os sportinguistas, mas é o que eu penso e o que os números demonstram.

Eu sei que o dinheiro é que faz mover o mundo – felizmente ou infelizmente, deixo ao vosso critério – mas estes exemplos deveriam servir para jogadores e pessoas que já têm “o muito bom” não queiram o “tudo” a qualquer custo, sem pensarem em todos os pontos e em todas as variantes.

Penso que exemplos como este, volto a dizer, que mais parecem de mercenários e não de jogadores que nasceram portistas, deveria fazer toda a gente pensar um pouco:

 

 

Para dirigentes e adeptos que deram tudo a um jogador, o que lhe permitiu ser o que foi, não caiu bem esta arrogância toda, esta forma de pensar que se tem a faca e o queijo na mão. Mas mais uma vez a vida veio colocar os pontos e as virgulas no sitio certo! FC Porto……? Foi um sonho que agora é um pesadelo, porque todos podem representa-lo, mas nem todos tem competência e inteligência para o seguir, por isso e cada vez mais sinto o que escrevi no artigo que podem ler aqui: Porto somos NÓS que sem interesses o seguimos e o amamos a qualquer custo!

Para terminar, quantos jogadores que foram craques no Porto e que ganharam títulos não só nacionais, mas europeus e mundiais, saíram do Porto e voltaram a ganhar?

Acho que vale a pena pensarmos nisso!

 

Penso que vale a pena terminarmos com esta declaração do Deco no ano passado:

“O FC Porto tem uma história fantástica e os jogadores sentem-se bem no clube. Posso garantir uma coisa por experiência própria: é muito difícil algum jogador sentir-se tão feliz noutro clube como no FC Porto. É verdade que o aspecto financeiro é importante, mas o FC Porto só perde mesmo nisso para os maiores da Europa. Em tudo o resto – condições, nível humano, etc., etc. – é melhor ou, na pior das hipóteses, é igual. Mas esta é também a história do clube: formar grandes equipas, fazer grandes jogadores e, depois, vendê-los para começar tudo de novo.”

 

Best_Abraços
Ricardo Amorim

 


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