Muita “Paixão” para pouco Dragão

Fev 03, 12 Muita “Paixão” para pouco Dragão

Sub-título: Num ano em que parece estar de novo a “Luz” ao fundo do “Túnel”

Campo Maior continua a ser a maior “Paixão” de Bruno contra o F.C. Porto, no entanto em Barcelos não deixou créditos em mãos alheias. E se outrora um puxão e camisola rasgada não deram direito a grande penalidade, uma cotovelada “gentil” dentro da área a Défour, ou um abalroamento do guarda-redes gilista a Kléber, ambos os lances onde a bola nem estava presente, também me parece coerente na panóplia de habilidades deste autêntico artista.

Se foi por esta “paixoneta” bem sincronizada com Santa Maria da Feira a única responsável por esta noite de pesadelo? Não! De todo não, mas facto é que um golo fruto de uma falta inexistente (tal como tinha acontecido na jornada anterior frente ao Vitória) e um penalti mesmo em cima do intervalo em lance precedido de claro fora-de-jogo – com a bola a bater na mão de Otamendi que não demonstra qualquer intenção nem sequer movimenta o braço para fora da área corporal – deixa claro e totalmente a nu aquilo que era a “agenda” para esta jornada.

 

 

Mas acima de tudo, uma ausência e total displicência do F.C. Porto como equipa, uma confrangedora falta de atitude, fizeram com que para além das “paixões” não houvesse aquela força que arrasa tudo, até os mais “inocentes” enganos por parte da mais incompetente arbitragem. E é esse o Porto que eu e todos queremos, não é o Porto “chorão” e “calimero” que se desculpa na arbitragem, mas sim o Porto que é prejudicado, mas que no fim assaca a vitória acima de qualquer dúvida.

Confesso que vi a primeira parte, resistindo ao “equívoco” que originou o primeiro golo do Gil e desembocou numa “frangalhada” da defesa e de Helton, mas depois de assistir à grande penalidade cirurgicamente urdida mesmo no minutos 45, não me foi mais possível acompanhar pela televisão aquilo que sucedida em campo. Era claro demais e friamente óbvio que este Porto não teria a garra para reverter uma situação tão adversa. E mesmo que a demonstrasse, estava mais que subentendido que a sua concretização seria tornada impossível. Desse modo decidi mudar de “onda” e confirmar sem grande espanto o resultado final e mais um penalti por assinalar a favor do F.C. Porto.

Mas sejamos sinceros e não nos colemos àquilo que mais criticamos nos adversários, que é a ausência de auto-análise e colocar tudo em cima dos ombros da arbitragem. Certo é que relativamente ao ano passado podemos ter mais uma ou outra queixa, que o adversário mais directo tem tido claramente mais situações de benefício, fruto de uma campanha muito bem gizada de “humildade” e “realismo ponderado”, que muitos pontos tem angariado por esta liga fora. Daí que este ano não vejamos comissões de arbitragem de “calças em baixo” a pedir perdão, nem análises exaustivas ao rendimento da arbitragem. Agora que “está tudo no seu devido lugar” essas ponderações já não são precisas e são selectivamente enviesadas.

 

 

As declarações de Vítor Pereira no final do jogo, embora ainda a quente na “flash-interview”, foram das mais lúcidas e realistas que vi esta época. Admitindo claramente e justamente uma postura péssima da equipa na primeira parte e a emocionalidade na segunda, enalteceu a dignidade do Gil Vicente no jogo e obviamente alertou para a “vergonhosa” arbitragem a que tivemos oportunidade de assistir. “Se quiserem encomendar faixas…” e eu concordo. Encomendem faixas, reservem espaços públicos, enfim façam o que entenderem. O F.C. Porto seguirá elevadamente e com enorme dignidade irá bater-se até onde lhe for possível para defender um título que é neste momento e por total mérito, seu.

 

No entanto sabemos e sempre soubemos que é nesta espécie de “futebol” no qual competimos e que felizmente temos tido quase sempre a superioridade e determinação suficientes para deixar claro o nosso querer e a nossa sede de vitória. Este ano também o sabíamos e portanto não existem desculpas. É insensato e até ridículo estar a assacar à arbitragem toda a responsabilidade desta campanha na Liga Nacional. Não é essa a essência de ser portista e eu não alinho nesse pensamento.

Obviamente que ontem o “arraso” foi notório e sem estribeiras de vergonha ou decoro, mas não foram estes três pontos, não foi em Barcelos que nos apercebemos de que algo vai mal no futebol sénior do F.C. Porto.

Segundo a crítica, 5 pontos é uma diferença “confortável” e quase inatingível, eu sugeria até que por decreto este ano o campeonato terminasse em meados de Fevereiro, dado que pelos vistos o “K.O. técnico” está confirmado. Mas não, eu também não alinho nesse discurso. É claro que podem perfeitamente garantir que o primeiro classificado não perde 5 pontos até ao fim da competição e tendo em conta aquilo que vimos até agora, não é difícil acreditar nessa possibilidade. Mas eu acredito que todo o andor pode cair e vamos ter de ir buscar forças aonde nem sabemos que elas existem para dar a volta a tudo isto. Não acrescentarei mais nada sobre quais os objectivos, sobre termos de vencer jogo a jogo, sobre ter sempre a vitória como primeiro e único pensamento. Vamos ver, temos de mais fortes que muita coisa externa e principalmente interna, mas essa força tem falhado em alguns momentos cruciais,

Posso no entanto aproveitar para deixar um exemplo do tratamento dado por dois montes de papel que se auto-entitulam de “jornais desportivos” e a forma como há um ano atrás tratavam a “choradeira” benfiquista na sua capa:

 

 

No F.C. Porto a derrota é sempre mais amarga e o convívio com a mesma é consequentemente o pior, por isso temos de lutar até ao fim. Mas sempre unidos e na busca de respostas e soluções, pois sempre soubemos dar a volta por cima e desta vez não será diferente

Porque Ser Porto é sê-lo sempre e acima de tudo!

 

Abraços e até para a semana,
Diana Maia

 

P.S. 1 - Uma das boas notícias desta semana é o regresso de Lucho “el Comandante” Gonzalez ao F.C. Porto e ainda por cima a custo zero. Pode muito bem ser um jogador fundamental na recuperação psicológica da equipa e que conhece os “cantos à casa”, colmatando a falta de liderança quer fora quer dentro de campo desta equipa. Para além de que é um enorme jogador e que esperemos que trará decerto a mesma magia que espalhou pelos relvados portugueses nos anos em que representou o F.C. Porto.

A outra é a (mais que tardia) contratação de um ponta-de-lança. Neste caso o escolhido foi Marc Janko, ex-Twente, do qual confesso desconhecer totalmente as reais capacidades. Mas confio na experiência e perspicácia de quem já faz isto há muitos anos e com uma balanço de sucessos amplamente superior aos insucessos.

 

 

P.S. 2 – Como o F.C. Porto não é só futebol, de enaltecer as campanhas das modalidades, empenhadas e vitoriosas e já com o problema dos ordenados completamente esquecido.

No hóquei segue uma campanha imaculada rumo ao “endeacampeonato”, confirmando que na última década e numa das modalidades mais históricas do desporto português, só dá Porto e o resto tem sido pura “paisagem”.

Já no basquetebol, apenas a diferença de pontos marcados mantém o F.C. Porto numa liderança partilhada com Benfica, enquanto que no andebol o tricampeão defende o título em primeiro lugar, rumo ao tetracampeonato.

 


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