Quatro razões para acreditar
Sub-título: E uma noite de suspiros no Dragão
No fim-de-semana passado, mais uma jornada em que a pressão para não deixar fugir o líder impunha a maior atenção e competência para que os três pontos ficassem no Dragão.
Depois de uma primeira parte ineficaz, para qual muito contribui a exibição “supersónica” do guarda-redes Oblak, na etapa complementar e depois de a equipa de arbitragem fazer “vista grossa” a um atropelamento de Hulk em plena área, James Rodriguez encontrou a chave para desbloquear o jogo abrindo caminho ao tento inaugural de Janko.
Foi também no início da segunda parte que Schaffer após agressão bárbara a João Moutinho recebeu um convite para ir tomar banho mais cedo. Já era tempo de alguém fazer cumprir as regras e punir correctamente este tipo de lances em que infelizmente João Moutinho é não raras vezes, vítima. Pena é que certos jogadores que usam e abusam deste tipo de conduta continuem a usufruir de uma “aura protectora” que lhes permite pontapear o adversário, dar-lhe com os pitons, dar “marradas” entre outras “marotices”. Sem quaisquer margens para dúvida estou obviamente a referir-me a Javi Garcia.
É na realidade lamentável que estas diferenças sucedam, pois agora irão decerto alimentar a “pseudo-teoria” de que o jogador por ser do U.D. Leiria e por ter sido num jogo com o F.C. Porto é que foi expulso por tal conduta. Fica sempre bem “espalhar o perlimpim” de dúvida para como de costume subjugar o mérito do F.C. Porto a uma qualquer manobra obscura. Nada de novo portanto.
Janko, dois jogos, dois golos. Podemos achar que ainda é muito cedo para entrar em “euforia” mas se efectivamente fôssemos a pensar na melhor estreia para este jogador, dificilmente se preveria este grau de aproveitamento.



Perante aquilo que aconteceu na “vizinhança” com a “ordem de despacho” de Domingos Paciência do Sporting, acho que para a actualidade isso pouco nos diz e nada deve interferir no que quer que seja. O maior erro que podemos cometer é com base neste acontecimento criar uma pressão adicional sobre Vítor Pereira.
Se somos diferentes temos de ser diferentes e o actual treinador do F.C. Porto é aquele que deve ter todo o apoio e toda a concentração para os objectivos que temos pela frente. No fim da época tudo se definirá com a competência e eficiência que já são apanágio da direcção do clube. Por isso mantenhamos a calma e não alteremos um milímetro da nossa postura, sob pena de nos comportarmos como aqueles que tanto criticamos. O Porto cumpre os seus contratos, acredita nas suas opções e quando os erros surgem são corrigidos na altura oportuna.

Quanto ao jogo com o Manchester City no estádio do Dragão, francamente não há muito mais a dizer senão que “a montanha pariu um rato”. E isto em ambos os sentidos, eu explico.
Por um lado muito se publicitava e se temia deste “gigante” inglês que através da concorrência desleal do dinheiro sujo e corrupto dos milionários que o compraram, se tornou”alguém” no mundo do futebol inglês e internacional. E perante a exibição de hoje, o que me foi dado a perceber é que o líder inglês apenas ganha na inspiração momentânea de algumas individualidades, porque de resto esteve muito longe de se conseguir “agigantar” frente ao F.C. Porto, um clube que se fez grande no mundo do futebol pelo próprio pulso e pelo suor derramado na busca da glória. Os portistas preferem assim e orgulham-se disso, de serem grandes por o mostrarem dentro de campo projectando os valores que compram dentro das suas possibilidades e não fruto de intervenientes que nada têm a ver com o desporto e que por via de investimentos obscuros desvirtuam toda a sua dignidade competitiva.
Por outro lado, o F.C. Porto que tanto prometeu, acabou por comprometer. Depois de uma entrada em jogo cheia de personalidade, raça e querer, assustando o “todo-poderoso” City que se viu e desejou durante toda a primeira parte e só conseguiu levar perigo à baliza de Hélton quando o Porto jogava com 10, devido à lesão de Danilo.



Confesso que apesar de este ano a “estrelinha” do F.C. Porto estar completamente apagada, com uma tremenda falta de sorte que nos tem acompanhado nos momentos chave, notou-se uma incapacidade de transcender, de fazer mais. Após o auto-golo de Álvaro Pereira, com culpas repartidas entre ele e Hélton, a equipa como que entrou em “depressão” colectiva, até que após uma sucessão de desconcentrações na defesa e incapacidade de tirar a bola eficazmente, o City usa de toda a criatividade que tem ao seu dispor para virar o resultado.
Foi realmente uma noite que tinha tudo para ser muito boa e acabou por se desmoronar como um baralho de cartas. Não por foi falta de apoio, não foi por falta de vontade. Mas agora é reerguer a cabeça e olhar em frente. Em Inglaterra teremos mais 90 minutos para seguir em frente e continuar a defender este título que ainda nos pertence.
Abraços e até para a semana,
Diana Maia




