Tribunal do Dragão
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Eu sou um Portista, que me posso considerar doente, vivo o FcPorto desde que nasci, fui atleta de natação dos 5 aos 12 anos e participei em outras modalidades ainda no complexo do estádio das antas, sitio onde se vivia o clube de outra forma, porque permitia a mistura de todos os atletas, vivi muitos jogos no antigo Estádio das Antas onde o fervor superava a razão e nos ajudava a suportar os dias de chuva ou as autenticas maratonas a pé no meio de apertos e condições pouco confortáveis com as gigantes bandeiras as costas.
Este estádio do Dragão é lindo, mas também é mais plástico nas emoções, as condições melhoraram muito, mas com elas também mudaram os adeptos. Faz-me falta saber que já não existe o conhecido “tribunal”, para quem não conheceu, era resumidamente um grande grupo de pessoas colocados num canto da superior sul, que servia de barómetro a todas as acções do clube, dirigentes, treinadores, jogadores e árbitros todos passavam pelo crivo do seu julgamento popular (e se era popular, algumas frases que ouvi pela boca de algumas varinas, fariam corar o adepto mais ferrenho).
O mundo mudou e o nosso clube que tinha características mais fechadas, foi obrigado a abrir-se a sociedade. A democracia que nos permite a todos expressar, só tem aspectos positivos e só com ela é possível sabermos histórias que de outra forma não passavam de lendas (está última história do Eusébio é uma delas), mas a forma rápida como podemos criar opinião ( twitter, facebook, blogues etc.) tem alguns aspectos negativos para os clubes com menos representação.
O presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, continuando sozinho o brilhante dueto que iniciou com o falecido José Maria Pedroto conseguiu exercer uma gestão de influência que na década de 80 90 (sec. 20) e 00 (sec 21), transportou o FcPorto para um patamar de respeito nas cúpulas administrativas do Futebol. O FcPorto conseguiu deixar de ser prejudicado quando passava a ponte e começou a ter as mesmas chances que os nossos adversários de Lisboa. Mas a influência que teve durante esses anos, foi sempre alicerçada em grandes equipas de futebol com jogadores de raça e que se fechavam dentro delas mesmo (isso hoje é mais difícil), porque se formos sérios embora o FcPorto pudesse ter tido algum controlo no dito sistema, nunca o dominou.
Esse domínio foi sempre exercido por outras forças vermelhas, basta ver os vários “roubos” que nessa altura continuaram a acontecer onde Campomaior é só um pequeno exemplo , a assunção de vários árbitros a internacionais é outra (se o Porto fosse dominador do sistema, Paixões, Ferreiras e Lucílios nunca chegariam a esse patamar, mas o Porto não dominava só controlava o sistema, na tentativa de reduzir os prejuízos).
Outro facto que demonstra o que refiro eram os castigos, era habitual nessas épocas os castigos a jogadores relativos a problemas passados em meses anteriores serem sempre decididos nas vésperas dos clássicos e como é obvio estava sempre um jogador do Porto em questão, lembro-me como se fosse hoje de ter assistido ao único jogador em Portugal, castigado (por agressão) em idêntico tempo à ausência do seu adversário, foi como sabem quem tem mais de 20/25 anos o Paulinho Santos que esteve castigado o tempo que o João Vieira Pinto necessitou para recuperar do maxilar. A questão não está sequer no castigo, porque o nosso Paulinho era um jogador à data chamado viril, mas que de vez em quando se excedia nas suas investidas, o problema é que foi o único repito o ÚNICO jogador que eu tenha visto em Portugal a ser castigado dessa forma. Para quem supostamente dominava o sistema é dose.
Com o passar dos anos o FcPorto deixou de ser uma equipa de cidade, e começou a conquistar muito espaço e muitos títulos (normalmente acha-se graça a uma equipa pequena que ganha um titulo ou dois), isso começou a ameaçar o dominador do sistema.
Sabendo que o FcPorto controlava o sistema, usou-se todo o tipo de estratégias para lhe tirar esse controlo e manter o domínio vermelho.
Congeminou-se então o Apito Dourado (escutas originaram livros e mulheres da vida tentaram unir as pontas), durante 3 anos puseram sob escuta o Presidente Pinto da Costa, no meio de milhares de conversas privadas apanharam duas ou três com possibilidade de investigação, mas não se preocuparam sequer em saber se dessas conversas privadas resultou algum benefício para o FcPorto.
Investigaram e o resultado foi o arquivamento, não satisfeitos criaram um departamento especial no Ministério Público que reabriu os processos e obrigou a que fossem a julgamento proibindo o seu arquivamento. Resultado final, “Ilibação” em todos os processos em frente a juízes.
Não satisfeitos pelo resultado de tanto labor, escolheram gente da liga em vez de jogadores, o objectivo seria, poder ter à frente quem decidisse sem julgar (ninguém do FcPorto foi ouvido nestes processos, faz lembrar o tempo da inquisição em que os julgamentos eram feitos por convicção as provas não eram necessárias), depois já todos sabemos o que se passou com aquela reunião do Conselho de Justiça que teria de aprovar o decidido na Liga, com a célebre “tomada da bastilha” de 3 elementos que além de despedir o presidente, tomaram também posse do conselho como se estivéssemos na “república das bananas”).
Depois disto e como nada resultou, vendo anos de trabalho afincado para retirar o controlo do sistema e manter o domínio, a ir por agua abaixo, fizeram o que faltava lançar no youtube as conversas privadas de Pinto da Costa, foi a ultima forma para colocar a opinião publica do lado do dominador (Ficas com a fama e nós com o Proveito). Ora como todos sabemos porque todos conversamos ao telefone, já em várias ocasiões dissemos coisas que se fossem escutadas nos faziam corar de vergonha. Dou um exemplo, quem de nós não teve conversas do género que a seguir exemplifico… Eu ao telefone em conversas com amigos já disse coisas como “oh “Chico” encontrei o “Zé” e o palhaço fez isto e aquilo, apetecia-me dar-lhe com um pau pela cabeça abaixo, podia ser que ele aprendesse”, se o meu telefone estivesse sob escuta e o Zé estivesse bem, nada acontecia. Se o Zé aparecesse com a cabeça rachada, eu ia ser investigado.
No caso do Pinto da Costa estamos a falar da primeira versão os jogos do Porto em que houve conversas sob escuta não resultaram em benefícios ao Porto e portanto nem deviam ser julgados, mas mesmo que resultassem era necessário provar causa-efeito (porque eu também não rachei a cabeça ao “Zé”).
O presidente do FcPorto não é a “madre Teresa de Calcutá” e se fosse nunca conseguiria ter controlo no sistema para evitar prejuízos, mas também nunca o dominou. De positivo no processo Apito dourado é que deixa de haver árbitros em casa de dirigentes, embora a sua presença não queira dizer nada, a mulher de César …..
A história mostra-nos, a quem se quiser dar ao trabalho que todos os títulos do FcPorto foram conquistados com um deve e haver entre benefícios/prejuízos equiparado entre os 3 grandes (e com prejuízo sempre das equipas pequenas).
Portanto quando se diz que o FcPorto dominou o sistema é completamente falso, o Porto controlou o sistema para ter as mesmas chances dos adversários quem o dominou sempre, foram os vermelhos. Basta ver os tempos em que o Porto não controla o sistema para ficar só o domínio vermelho e é castigos a descarada, + planos inclinados no deve e haver das arbitragens além das já celebres compras cirúrgicas de jogadores de equipas adversárias entre outras manobras administrativas (mudanças de campo de jogo, pagamento de ordenados etc.).Para comprovar este tema, basta o exemplo dos campeonatos do Estorilgate, dos túneis e este último).
Veja a melhor coletânea de imagens dessa vergonha aqui
Mas voltando a parte inicial que o texto já está longo. A sociedade está hoje mais aberta e controlar a equipa nas suas fronteiras é mais difícil (o nosso PC está mais exposto e não dura para sempre), ou os adeptos do Porto que gostam muito do clube se unem em torno do mesmo objectivo e fecham a equipa, ou se forem eles os primeiros a abrir flancos com as críticas permanentes, vamos ser engolidos pela massa crítica vermelha que com o seu domínio (por numero) da comunicação moderna (twitter, facebook etc.), facilmente se infiltram nos meandros portistas e apoiados pelas cúpulas da comunicação nacional (que ainda subsistem, e que permanentemente apoiam e incentivam todas as críticas), fazem vacilar os adeptos do Porto que não são apaixonados.
Está época do Porto é normal, já nos aconteceu o mesmo na era pós Mourinho a única coisa que se está a tentar fazer diferente é não despedir 3 treinadores, porque de resto nós sabemos que quase todos os jogadores que participaram no êxito do ano passado vão sair (vêem agora a sua oportunidade de ganhar 4 a 5x o que ganham no Porto aproveitando a conquista da liga Europa, e eles sabem que este feito não se repete todos os anos).
Mas o Porto está a fazer uma gestão cuidada para não perder muito dinheiro e ao mesmo tempo lutar ainda pelo título ou em ultimo caso o mal menor a ida a liga dos campeões.
No entretanto logo no início da época começamos a preparar a próxima e está é a grande diferença da boa gestão do nosso clube (com PC, Antero e todos os restantes colaboradores). Mal gerido é o clube que desbarata uma equipa e não prepara atempadamente a sua substituição, a entrada de muitos jovens promessas a que se junta agora o comandante Lucho serve para consolidar a mística e amadurecer a juventude, são estás as traves que suportam a minha certeza que no campo estamos a tentar fazer as coisas bem feitas, para que o Próximo Ano seja novamente de muitas alegrias.
E para finalizar, se conseguirmos controlar o sistema e evitar que o domínio vermelho nos prejudique, ainda temos uma palavra a dizer no título deste ano.
Um abraço e viva o Porto, temos que ser todos parte da mesma equipa, FcPorto.
Miguel Oliveira














